A Ascensão
de um Novo Titã do Heavy Metal
Poucos momentos no Rock Pesado moderno são tão impressionantes quanto testemunhar o nascimento de um clássico instantâneo. Lançado originalmente em 2019, "Woodland Rites", o álbum de estreia dos britânicos do Green Lung, não apenas colocou o quinteto de Londres no mapa do Doom/Stoner Metal global, mas também estabeleceu um padrão de excelência raramente visto em um primeiro disco. Para a alegria dos colecionadores e fãs brasileiros, essa obra-prima ganha uma merecidíssima edição física nacional no Brasil através da Shinigami Records, permitindo que o público local celebre o ponto de partida de uma das trajetórias mais sólidas da atualidade. Hoje, com uma história já consolidada, três álbuns aclamados nas costas e a forte expectativa para o lançamento de seu quarto registro de estúdio em 2026, olhar para trás e reouvir Woodland Rites é entender onde toda essa energia mística foi forjada. Antes deste debut arrebatador, a banda havia soltado apenas uma demo tímida e o cultuado EP Free the Witch (2018). Contudo, a transição para o primeiro Full-Length revelou um salto criativo descomunal. A maturidade que o Green Lung demonstrou logo de cara é algo absurdo - soando como um grupo que já ostentava décadas de estrada e domínio absoluto da sua identidade sonora. O grande segredo de Woodland Rites reside no equilíbrio perfeito de suas influências. A ambientação sonora bebe diretamente no poço sagrado do Black Sabbath dos anos 70 - evocando o peso cru de Tony Iommi e a estética psicodélica da NWOBHM -, mas passa longe de qualquer tentativa de cópia ou nostalgia barata. O som é incrivelmente orgânico, encorpado e vivo, sustentado pelo casamento perfeito entre os riffs afiados de guitarra, a cozinha pulsante e as camadas hipnóticas de órgão Hammond, que dão um tom de ritual pagão às canções.
Diferente de
muitas bandas de Occult Rock que se distanciam do ouvinte em uma aura de
soberba ou hermetismo, o Green Lung adota uma postura inclusiva. A temática
mística e o folclore britânico são entregues como um convite irrecusável: as
letras e os vocais do frontman Tom Templar - que navega com maestria entre o
tom agudo de Ozzy Osbourne e a imponência soturna de Scott Reagers (Saint
Vitus) - chamam quem está ouvindo para fazer parte do próprio sabá, caminhando
lado a lado pela floresta obscura. "Initiation" & "Woodland
Rites": A abertura é uma aula de construção de atmosfera. Sons de pássaros
e folhas ao vento se fundem a dedilhados acústicos tranquilos, apenas para
serem subitamente estilhaçados por um riff devastador de fuzz. A faixa-título
entra com o pé no peito, servindo como o cartão de visitas perfeito do
"Natural Metal" praticado pelo grupo. "Let The Devil In":
Com uma linha de baixo grave que bate no peito como um coice, a música traz um
groove irresistível, mesclando guitarras pesadíssimas e harmonias vocais
cativantes em um convite quase divertido para "deixar o diabo entrar".
"Ritual
Tree" (Destaque Absoluto): Uma verdadeira viagem psicodélica e arrastada.
O órgão de abertura evoca o clima lúgubre de um convento abandonado antes da
banda desabar em uma sequência de riffs monumentais. A seção intermediária
desacelera, criando uma atmosfera viajante que culmina em um dos solos de
guitarra mais épicos e inspirados do álbum. “May Queen" (Imperdível): A
faceta melancólica da banda atinge o seu ápice nesta composição soberba. Uma
balada bluesy, mórbida e profundamente emocionante sobre o sacrifício
ritualístico na pira de vime. O trabalho vocal expressivo de Templar combinado
a um solo de guitarra carregado de sentimento constrói o momento mais tocante
de todo o registro.
Fonte: whiplash.net



