Do Marrabenta ao rock alternativo - a evolução musical de Moçambique
Nosso diferencial é a autenticidade, a banda se
dedica ao ativismo, nosso som é único, Dickson Machanguana.
Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Como a herança musical de Moçambique
(como a Marrabenta, a Timbila ou o Tufo) influencia o som do rock alternativo
de vocês?
Dickson
Machanguana – a herança
musical de Moçambique tanto Marrabenta, Timbila ou Tufo influencia do rock
alternativo trazendo como resultado final o nosso rock onde podemos ter aquele
som mais nosso, tradicional e o componente rock.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - De que maneira vocês equilibram as
raízes tradicionais moçambicanas com as influências do rock?
Dickson
Machanguana – uma das
maneiras é a versatilidade, como por exemplo, meu recente álbum que trago
blues, rock e o rock fusão com jazz. È dessa forma que fazemos, existem algumas
casas que são muito escassas, que aceitam o rock 100 % então, uma das maneiras que
a gente acaba usando pra garantir a sobrevivência, principalmente pra nós que
escolhemos viver de música a gente equilibra fazendo ou trilhando um caminho da
versatilidade pra poder garantir espaço em ambas as partes.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Quais são as bandas ou artistas moçambicanos
ou africanos em geral que mais moldaram a identidade musical de vocês?
Dickson
Machanguana – Rockfeller,
Golpe de Estado Uns e Outros, Africans Jazz e Legião Urbana.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Como funciona o processo de composição
da banda? As ideias surgem a partir de jam sessions ou há um trabalho focado na
letra antes?
Dickson
Machanguana – o
processo de composição da minha banda é tão simples. Em primeiro lugar, tive a
sorte de viver em uma vila onde o relevo me beneficia tanto por causa das
montanhas, não tem muita planície, então eu vejo tudo de cima e a inspiração
facilmente vem me abraçar. Eu costumo compor e levo a ideia para o estúdio, no
momento do ensaio eu exponho a minha ideia e depois trabalho essa música em
termos de execução.
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Blog underground Alessandra Paim jornalista - Sobre os idiomas: vocês optam por cantar em português, em inglês ou em línguas locais (como Changana, Macua, etc.)? Como essa escolha afeta a mensagem?
Dickson
Machanguana – a gente optou
por fazer uma inclusão porque a gente vive perto da Àfrica do Sul onde tem os
seus dialetos e um dos dialetos mais falados é zulu. Então, a gente canta em
zulu, changana, português e inglês. Como forma de garantir maior abrangência
nas nossas mensagens isso garante que o músico tenha mais popularidade em
termos de formas como as pessoas acessarão nossas músicas.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Como vocês descreveriam a cena do rock
e da música independente em Moçambique, atualmente?
Dickson
Machanguana – a cena do
rock e da música independente em Moçambique está ótima! Existem músicos que dão
o sangue nessa causa de maneira de mostrar seus trabalhos como existem festivais
que abraçam as bandas, alguns patrocinadores que apoiam as bandas. Não com a gente
sonha, mas a gente faz aqueles eventos a nossa maneira. Mas a cena está boa e
paralelamente temos as plataformas de batalhas de bandas Festivais que tem sido
um meio de trocas de experiências com bandas de outros países africanos e isso fortalece
a cena.
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Blog underground Alessandra Paim jornalista - Quais são os maiores desafios e vantagens de fazer rock alternativo em um mercado onde a preferência geral é por outros ritmos?
Dickson
Machanguana – um dos
maiores desafios em primeiro lugar, são aqueles que os ouvintes dizer que
estamos promover a cultura dos outros e é o nosso maior calcanhar de Aquiles.
Pelo comentário chegamos a ter dificuldades de receber com as casas
independentes que pagam o cachê, principalmente quando você não é um músico
conhecido e a vantagem é que as pessoas escutam rock e às vezes sem saber que
estão escutando. Mas se surpreendem quando veem as bandas tocar rock, você vê muita
gente dançando ou a mexer o pé, abanar a cabeça e saltitar. E quando tem alguns
eventos e coincidem quando tem gente de outros continentes que vê o rock como algo
bom, admirando as bandas de rock com uma boa pegada.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - O público moçambicano tem sido
receptivo a sonoridades alternativas? Como é a relação de vocês com os fãs nos
shows?
Dickson
Machanguana – o público
tem sido receptivo e a nossa relação com os fãs nos shows é muito boa e quando tem
um show de rock é como se fosse um dia de festa para o público.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Como vocês veem o acesso a estúdios de
gravação e à tecnologia no país para bandas independentes?
Dickson
Machanguana - não tem
sido fácil pra todos, há fatores financeiros que impactam. Existem bandas que
tem condições, que conseguem gravar tudo em um show ao vivo e as bandas que não
têm condições financeiras não sabem nem como fazer pra poder concretizar seus
sonhos. Mas improvisam como podem para mostrar seu trabalho.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Projetos futuros
Dickson
Machanguana – nossos
projetos futuros é iniciar com mais transações o álbum “Sonho de Imigrante” e fazer
parcerias com os músicos do Brasil. E falo como Dickson Manchaguana, meu
projeto futuro é preparar o meu 3° álbum chamado “Novo Sentido” e convidar aos
ouvintes que já conhecem o álbum no Spotify. Um dos álbuns da minha carreira
solo que lancei em 2023. Essa semana acabei de lançar o álbum “Eu Andei” que
tem uma rica versatilidade de ritmos e alguns são brasileiros e não fugir da
regra, componente rock que é a minha válvula de escape (risos). Convido todos a
ouvir no Spotify.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Se vocês pudessem mudar algo na
indústria musical local para ajudar mais bandas de rock, o que seria?
Dickson
Machanguana – primeiro,
teremos que quebrar a barreira dos estereótipos que circulam poraí de pensarem
coisas que não sãos boas do músico rockeiro. Outra, seria abrirmos
oportunidades, promover grandes festivais para as bandas de rock poder divulgar
seu trabalho. Pedir para a mídia e ao Ministério da Cultura prestar mais
atenção sobre o trabalho que nós rockeiros fazemos. Porque a gente representa o
nosso país dentro e fora e só precisamos de um
impulso para podermos chegar lá.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Liste as músicas autorais e que cada
uma significa.
Dickson
Machanguana – temos a
música chamada “Pfumela” é uma música que não falta em todos os
concertos. “Pfumela” é língua changuana mas em português significa seita.
Fala de 2 pessoas apaixonadas, mas negam os sentimentos. A música sensibiliza a
pessoa aceitar para parar de sofrer. Tem a música There I go que faz
parte do projeto solo do Dickson Changuana que vem para encorajar a pessoa a
não desistir dos seus sonhos porque mesmo que sejam difíceis mais com
persistências as coisas melhoram.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Há projetos para tocar no Brasil?
Quando?
Dickson Machanguana - sim tem projetos, mas não temos previsão.
Faz parte do meu sonho. Acredito que um dia iremos ao Brasil, desfrutar dessa
emoção.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Qual o diferencial da banda Névoa do
Deserto?
Dickson
Machanguana - é uma
banda autêntica, tem um som único e dedica ao ativismo, apoiando pessoas caídas
pra poderem se levantar. Esse é o diferencial que a Névoa do Deserto tem, somos
mais autênticos acima de tudo.
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underground Alessandra Paim jornalista - Momentos memoráveis para a banda?
Dickson
Machanguana – tivemos
vários momentos. O primeiro foi quando a gente se reuniu, 2° quando a gente
acreditou que seria possível. Conhecemos um amigo voluntário aqui que veio da
Alemanha o Niklas Rudolph que nos apoiou muito na formação dessa banda a ponto
de fazermos o nosso primeiro concerto e os nossos seguidores estavam lá, mesmo
com fortes chuvas ficaram até o final do show e foi algo marcante. Outro que
marcou foi quando fomos tocar na África do Sul na Batalha de bandas e foi muito
bom e marcante.
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Blog
underground Alessandra Paim jornalista - Qual a música mais pedida nos shows da Névoa do Deserto?
Dickson
Machanguana – é a
música Pfumela que já tem o vídeo no Youtube é a música que
sempre tocamos nos eventos de rock.
MÍDIAS
NÉVOA DO DESERTO
@NEVOADODESERTO
YOUTUBE
https://www.youtube.com/watch?v=t4aPVL-VCfY
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MENSAGEM
“A mensagem
é seja persistente, acredite nos seus sonhos e levante a nossa bandeira, porque
ninguém vai levantar por nós. O rock existe em todo o mundo, o rock é uma
realidade e em qualquer canto existe uma banda, existe um rockeiro que vive o
rock, que faz o rock. Precisamos ser unidos e sinto que estamos porque hoje eu
falo de Ressan Garcia em Moçambique, Maputo, África, mas eu já estou interagindo
em São Paulo no Brasil, então já é bom sinal. O que falta é fazer um evento que
junta todas as bandas de todo continente, será um evento maravilhoso que durará
semanas, (risos). Um grande abraço, obrigado pela oportunidade de poder estar aqui
a contribuir a minha ideia, sentimento. Muito obrigado, Alessandra Paim e
Marcelo Borges do blog underground, um grande abraço para a equipe do blog, um
grande abraço para todos os roqueiros do mundo! O rock jamais irá morrer!”.
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