A história, o som e a rebeldia que marcaram uma geração.
A formação inicial contou com Winston Fergus nos vocais e, posteriormente, Don Letts, figura importante da cena punk e reggae de Londres. Em 1979, o fotógrafo e artista Dennis Morris assumiu os vocais e tornou-se uma das principais forças criativas da banda. Morris já era conhecido por seu trabalho fotográfico com nomes como Bob Marley, Sex Pistols e Public Image Ltd. Um dos primeiros momentos importantes da trajetória aconteceu no Rainbow, em Londres, no Natal de 1978, quando o Basement 5 tocou como banda de apoio do Public Image Ltd.
O grande diferencial do Basement 5 estava justamente na mistura de linguagens. As guitarras e a atitude do punk encontravam linhas de baixo profundas, ritmos de dub e influência do reggae jamaicano. O resultado era uma música pesada, urbana e experimental, que antecipava algumas possibilidades do pós-punk.
As letras abordavam questões sociais presentes na Inglaterra daquele período, incluindo desemprego juvenil, greves, racismo, imigração, pobreza da classe trabalhadora e a vida nas áreas urbanas.
Dennis Morris teve papel fundamental não apenas musical, mas
também artístico. Ele criou o logotipo e a imagem visual do Basement 5,
ajudando a construir uma estética que fazia parte da própria mensagem da banda.
A formação que ganhou maior projeção reunia Dennis Morris
(vocais), Humphrey “J.R.” Murray (guitarra), Leo “E-Zee Kill” Williams (baixo)
e Richard Dudanski (bateria). Dudanski já havia passado por grupos como The
101ers, The Raincoats e Public Image Ltd.
1980 - o álbum que marcou a banda
Em 1980, o Basement 5 assinou com a Island Records e lançou seu principal trabalho, 1965–1980, produzido por Martin Hannett, produtor associado à cena de Manchester e ao trabalho com Joy Division. Entre as faixas estão “Riot”, “No Ball Games”, “Hard Work”, “Immigration”, “Last White Christmas”, “Heavy Traffic”, “Union Games”, “Too Soon” e “Omega Man”. O título 1965–1980 também possui um significado ligado à trajetória de Dennis Morris: 1965 foi o ano em que ele chegou ao Reino Unido vindo da Jamaica, enquanto 1980 corresponde ao período de lançamento do trabalho.No mesmo período surgiu In Dub, explorando versões dub de músicas do grupo. A produção de Hannett levou ainda mais longe o lado experimental da banda.
Uma história curta, mas marcante
O Basement 5 teve uma existência relativamente breve e se
separou no início dos anos 1980. Apesar da curta trajetória, sua fusão de punk
+ reggae + dub + pós-punk tornou o grupo uma referência cult da música
underground britânica.
Em 2017, os trabalhos 1965–1980 e In
Dub foram novamente relançados, permitindo que uma nova geração tivesse
contato com a produção da banda.
