Música, ancestralidade e resistência se encontram na trajetória do grupo que deu voz às aldeias.
O Blog Underground traz uma entrevista especial com o Brô MC's, primeiro grupo de rap indígena do Brasil, formado em 2009 nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados (MS). Com integrantes da etnia Guarani-Kaiowá, o grupo transforma música em instrumento de resistência, identidade e afirmação cultural. Misturando português e guarani, suas letras abordam ancestralidade, demarcação de terras, violência contra os povos originários e o combate ao preconceito. Do início da trajetória ao palco do Rock in Rio, passando pela parceria com Alok no projeto The Future Is Ancestral e por apresentações internacionais, o Brô MC's vem levando sua mensagem para muito além das aldeias. O Blog agradece ao grupo indígena Brô MC’s pela entrevista concedida por meio do Bruno VN que falou da história do Brô em um super bate papo excepcional! Muito obrigada Bruno, foi uma honra dar voz à trajetória, à cultura e à força de um grupo que representa a resistência e a identidade através da música. Nosso muito obrigado pela confiança e por compartilhar essa história com o Blog Underground! 🔥
Let’s Interview!! 🔥
Blog Underground Alessandra Paim - Como a cultura e as tradições do seu povo influenciam o som e as letras do grupo?
Bruno VN – a cultura do meu povo só
nos influencia. Nós acrescentamos mais coisas que a gente já conhecia no rap.
Eu acho que ter essa junção é muito bom para aprimorar mais o nosso som. A gente
já cantava as nossas canções tradicionais.
Blog Underground Alessandra Paim - De que
maneira vocês misturam os ritmos tradicionais (como cantos e instrumentos
nativos) com as batidas do rap?
Bruno VN – ajuda muito essa mistura dos nossos cantos tradicionais até um certo ponto. Porque os cantos e as rezas tradicionais têm um certo limite que a gente pode colocar, não podemos ultrapassar porque as rezas são muito fortes e não usamos muito nas nossas letras. Mas as batidas Mbaraka, Taguá, Mimby e o tambor que a gente usa no nosso instrumental é totalmente feito no que a gente toca. E fazemos essa mistura no nosso rap e justamente por isso chamamos rap indígena, um vai complementando o outro.
Blog Underground Alessandra Paim - Qual é a
importância de cantar e rimar na língua nativa de vocês?
Bruno VN – a importância de rimar na
língua é a preservação da nossa cultura, da nossa raiz, da nossa fala, canto e
rezas.
Blog Underground Alessandra Paim - Quais são as principais denúncias ou mensagens que vocês querem passar para quem ouve o som de vocês?
Bruno VN – as principais que a gente
leva nas nossas músicas são a nossa realidade. O que o indígena passa aqui no
MS sobre o preconceito, racismo, questão da demarcação de terras. Então, toda
essa questão a gente leva pra nossa música, a gente traz essa realidade em
forma de poesia, de rima pra a gente poder se expressar que o indígena ainda
passa essa dificuldade ainda no século que a gente vive.
Blog Underground Alessandra Paim - Como vocês enxergam
o papel da música na luta pelos direitos e pelos territórios indígenas?
Bruno VN – ajuda muito, antes o
indígena aqui no nosso Estado era visto como vagabundo, que não trabalhava. A nossa
realidade é que a gente vive entre conflitos, o indígena contra os fazendeiros,
são essas informações e imagens que a mídia em geral distorce. Como falei
anteriormente, eles só viam o indígena como vagabundo que não trabalha e esse
tipo de realidade que a gente traz em forma de rima e poesia e ajuda muito.
Antes do BRO MC’s a comunidade indígena guarani-kaiowá não era reconhecido, não
era visto. O pessoal conhecia muito o povo indígena que mora na região do
Amazonas, no Mato Grosso. E não conheciam o povo guarani- kaiowá. A música
ajudou bastante ter essa visibilidade do povo guarani-kaiowá e mostrar pra
sociedade, dar uma atenção a mais aqui na nossa região.
Blog Underground Alessandra Paim - O rap já foi
visto como algo de fora. Como a comunidade de vocês recebeu a chegada desse
estilo?
Bruno VN – realmente o rap foi visto
como algo de fora. Mas o rap não tem essa fronteira de ter um certo limite, acho
q o rap foi lançado pra atingir várias pessoas mesmo. Quando chegou na nossa
comunidade a maioria não entendia muito bem o que era o rap, mas com o passar
do tempo eles viram a importância do rap indígena falar dos problemas que o
indígena passava aqui na nossa comunidade. Então, isso foi essencial o rap
entrar na vida dos 04 jovens daqui da aldeia mostrando a realidade, o cotidiano
em forma de música e poesia. Levando essa realidade em cima de vários palcos. E
o indígena daqui se identificou muito com isso e foi de extrema relevância. A
meu ver o rap não tem fronteira, vai alcançar as pessoas que estão longe, o rap
é uma ferramenta poderosa em forma de rima, de poesia.
Blog Underground Alessandra Paim - Como nasce uma música nova de vocês? Desde a primeira batida até a letra final?
Bruno VN – a música pra nós creio que
está no sangue. Por conta dos nossos avôs, por conta dos nossos Nhande sy é Nhanderu,
nossos rezadores. O rap só complementou para fazer a rima, pra fazer as letras
surgirem. A gente já vem de uma família tradicional que canta e que reza e as músicas
que a gente canta e reza não foram escritas nos 2000s vem bem antes, vem de
família que já vem fazendo antes.
Blog Underground Alessandra Paim - Quem são as
maiores referências musicais do grupo, tanto no rap tradicional quanto na
música indígena?
Bruno VN – são nossos nhande sy e nhanderu e também esses grandes rappers que são Renan inquérito, Racionais, Mvbill e sabotagem.
Blog Underground Alessandra Paim - Como é a
reação do público não-indígena quando vocês levam a cultura de vocês para os
palcos e festas?
Bruno VN – no nosso Estado é muito
raro é mais pra fora mesmo. O público aceita ver um indígena fazer rap, do
indígena estar levando a ancestralidade em cima do palco. E muitos das pessoas
não-indígenas já vieram falar pra gente que isso é rap verdadeiro, que é rap
original. Eu sou muito grato das pessoas aceitaram esse novo estilo que a gente
criou que é o rap indígena.
Blog Underground Alessandra Paim - Bruno faça
um breve resumo da discografia do BRO MC’S
Bruno VN – Eju Orendive (2010): O primeiro videoclipe do grupo, que marcou a cena ao propor diálogo interétnico e denúncia social, Rap Indígena (EP - 2022): Trabalho que consolidou a força do grupo nas plataformas digitais, Demarcação (Single - 2022): Música emblemática sobre a luta pela posse das terras ancestrais, Koangagua (Single - 2022): Relevante faixa do repertório que exalta a identidade originária, RETOMADA (Álbum - 2025): O aguardado álbum de estreia oficial do grupo, celebrando as retomadas de terras e a ancestralidade, Participações e Colaborações: O grupo também colaborou na faixa “Jahara” no projeto The Future Is Ancestral com o DJ Alok (2024).
Blog Underground Alessandra Paim - Integrantes que compõem o Bro.
Bruno VN – Charlies Peixoto, Kelvin
Peixoto, Clemerson Batista, Bruno VN. Todos são MC’s, letristas, poetas do rap.
Blog Underground Alessandra Paim - Quais os
projetos para 2027?
Bruno VN - temos vários projetos pra
lançar em 2027. Temos vários documentários que foram feitos, alguns projetos
aqui no nosso estúdio.
Bruno VN – geralmente o pessoal pede muito as músicas: “Eju Orendive”, “Terra Vermelha’, “Drillgk”, “Tupa”, “Retomada”.
Bruno VN – eu acho que o Brô já alcançou em várias comunidades indígenas. Essa era a vontade do Brô MC’s, alcançar onde a arte não chega e levar essa realidade para que as pessoas que estão nessa luta também se identificasse com a letra.
Blog Underground Alessandra Paim - Qual o
próximo show?
Bruno VN - o próximo show será em SP e
vai ser uma circulação grande. Sem maiores detalhes no momento.
Blog Underground Alessandra Paim - Uma
referência para o BRÔ MC’S
Bruno VN – a referência é a
nossa comunidade, a comunidade que a gente vive. Nossos Nhande sy e Nhanderu que
estão sempre rezando.
Blog Underground Alessandra Paim - Contato pra
shows
Bruno VN – pela página oficial do Bro
no Instagram: @bromcsoficial.
Blog Underground Alessandra Paim - Mensagem
Bruno VN – "a mensagem que a gente
deixa é que a comunidade indígena se assume como realmente são. Não deixe que
suas raízes morram. È isso!"
YOUTUBE - https://www.youtube.com/channel/UC5qL9qUb1EfxKUp3okiw3xQ
FACEBOOK https://web.facebook.com/BroMcsRap
INSTAGRAM @bromocsoficial
| 💥 EXCLUSIVA DO BLOG 💥 |
.png)
%20(1).png)
.png)
.png)