“Não podemos deixar o heavy metal morrer, Fábio Trovão”
O Heavy Metal nunca foi apenas sobre peso. É também atitude, questionamento, identidade e a capacidade de transformar inquietações em música. É justamente nesse território que a Manunkind vem construindo sua trajetória, levando para os palcos uma sonoridade que transita por diferentes vertentes do rock pesado sem perder sua própria personalidade. Criada no Rio de Janeiro em 2018, a banda nasceu da parceria entre Fábio Trovão e Victor Hugo Cordeiro, dois nomes com experiência na cena underground carioca. Desde então, a Manunkind vem desenvolvendo um trabalho autoral marcado por guitarras pesadas, energia, experimentação e uma mistura de referências que passa pelo Hard Rock, Thrash, Groove e Prog Metal. A história da banda ganhou capítulos importantes nos últimos anos, vieram os primeiros singles, apresentações ao vivo, festivais e encontros com nomes de destaque do metal nacional. Entre esses momentos está também a participação do tecladista Derek Sherinian (ex-integrante da banda Dream Theater) na faixa Spread Your Wings, colaboração que acrescentou um capítulo especial à trajetória do grupo. A Manunkind é uma banda de Heavy Metal, mas sua sonoridade não se prende a uma única vertente. Cada integrante carrega suas próprias influências musicais, experiências e referências, que vão se encontrando dentro das composições e contribuindo para a construção de um som particular. É justamente essa diversidade que faz a diferença: as influências individuais de Fábio Trovão, Victor Hugo Cordeiro, Raphael Trovão e Renan Camaso se somam, criando uma identidade musical própria e tornando o som da Manunkind único. Diferentes caminhos musicais se cruzam sem apagar a essência pesada da banda, abrindo espaço para novas texturas, ritmos e possibilidades dentro do Heavy Metal. Na atual formação, Fábio Trovão (guitarra e backing vocals), Victor Hugo Cordeiro (vocal), Raphael Trovão (baixo) e Renan Camaso (bateria e percussão) trazem para a banda não apenas seus instrumentos, mas também suas bagagens musicais. É desse encontro de influências que nasce a personalidade sonora da Manunkind.Nesta entrevista para o Blog Underground Alessandra Paim, o vocalista e fundador Fábio Trovão fala sobre trajetória, a construção identidade musical, o processo criativo de Hidden Side of Me, as influências que alimentam suas composições, a experiência nos palcos e os caminhos que a banda pretende explorar daqui para frente. O meu muito obrigada ao Fábio Trovão pela disponibilidade e pela oportunidade de realizar esta entrevista. Foi um prazer conhecer um pouco mais de perto a trajetória, as influências, o processo criativo e a nova fase da banda. Estendo meus agradecimentos para os demais integrantes, também: Victor Hugo Cordeiro, Raphael Trovão e Renan Camaso por compartilharem suas histórias, ideias e amor pelo Heavy Metal. Vida longa à cena underground!
Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Como nasceu a Manunkind e o que motivou vocês a formar uma banda de heavy metal em 2018, no Rio de Janeiro?
Fábio Trovão – a história da Manunkind começa em 2017 quando eu estava numa banda cover que a gente estava precisando de vocalista. Chamamos o Victor Hugo Cordeiro que é o nosso vocalista atualmente. Ele entrou na banda a gente ensaiou um bom tempo, não chegamos a fazer shows, a banda durou um certo tempo e não foi pra frente e a banda acabou depois um tempo. Como eu já tenho um certo tempo de estrada, tive outras bandas, toco desde criança/adolescente. Chamei o Victor e apresentei minhas músicas prontas que já tinha feito pra outras bandas e estavam guardadas e sugeri pra fazermos um projeto autoral e ele topou na hora. A partir desse momento nós corremos atrás de outros músicos pra completar a banda e depois de muitas buscas chegamos no Bruno Ferreira e Renato Croce que foi o primeiro baterista e Renato baixista. Atualmente Manunkind está composta por: Fábio Trovão, guitarra e backing vocals, Raphael Trovão, baixo,Victor Hugo Cordeiro - Vocal e Renan Camaso, bateria e percussão. Em 2018 começamos a tocar, ensaiar e o que levou a gente fazer a banda é o nosso amor pelo rock in roll, pelo rock pesado, pelo heavy metal. E tivemos a sorte de sermos convidados pelo nosso primeiro convite nosso primeiro show foi para abrir um show do Doctor Sin e isso abriu muitas portas pra gente e a partir dessa experiência tudo se desenvolveu, começamos a planejar gravações, lançamentos e etc.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Qual o estilo musical da Manunkind dentro do universo do heavy metal? Há
alguma característica que consideram a identidade sonora da banda?
Fábio Trovão – eu considero uma banda de heavy metal com
influências. A nossa base é heavy metal, mas colocamos as nossas influências de
Prog Metal, de Hard Rock, de Thrash Metal. As pessoas de fora nos comparam com
diversos estilos como Black Label Society, outras já compararam com Savatage.
Enfim, a gente se considera uma banda de heavy com influências.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Quais bandas e artistas mais influenciaram o som da Manunkind?
Fábio Trovão – eu posso falar mais por mim a banda que mais gosto é Rush, mas o Rush não tem muito a ver com a Manunkind, pode ter alguns trechos mais progressivos. Mas da minha parte as bandas que mais me influenciam na hora de compor são Savatage, Black Sabbath, Black Label Society, Iron Maiden e outros. Os membros da banda, cada um tem suas influências que faz o som da Manunkind ser único.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- O Rio de Janeiro possui uma história muito forte dentro do rock e do metal
brasileiro. De que maneira a cena carioca influenciou a trajetória da banda?
Fábio Trovão – o Rio de Janeiro já foi uma grande potência no underground depois teve uma caída drástica e durante muito tempo o underground ficou muito relegado. Hoje em dia a gente vê um movimento de renascimento acontecendo e está me deixando muito feliz. No Rio de Janeiro a coisa é bem cíclica até pela quantidade de diferentes estilos que surgem e desaparecem por aqui, né... o rock tem ciclo aqui no Rio e eu tenho a sensação de que estamos no momento de renascimento, de crescimento.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Para vocês, qual é a importância de manter o heavy metal vivo e relevante em
uma época em que tantos estilos musicais disputam espaço?
Fábio Trovão – a importância o heavy metal vivo é porque a gente ama o heavy metal, (risos.,) ele já foi declarado morto diversas vezes desde 1970 desde que o Sabbath começou com isso. È o estilo que eu amo, que a banda ama, acho que nunca vai morrer, vai ter seus altos e baixos como todos os estilos. Mas acho mais importante a renovação, o público começar a dar valor às bandas novas, as bandas autorais. Porque as grandes bandas do estilo em algum momento, o tempo passa pra todos, né... a idade chega pra todos. O Iron Maiden não vai durar pra sempre, o Metallica não vai durar pra sempre e se a gente não se preocupar em apoiar uma renovação isso pode estagnar ou pode colocar o heavy metal em baixa. È importante o público, os músicos, os produtores, as casas de shows apoiar essa renovação, dar apoio as bandas novas, as bandas autorais novas e não só as covers porque tem espaço pra todo mundo. Tem essa discussão eterna, essa disputa eterna entre covers e autorais que eu acho uma besteira sem tamanho porque espaço tem pra todo mundo, basta todo mundo querer.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Como vocês enxergam atualmente a cena independente de heavy metal no Brasil?
Fábio Trovão – a cena independente está num momento
fervilhante de bandas maravilhosas, tenho visto, conhecido, feito amizades com
muitas bandas, fazendo trabalhos de nível top, de nível internacional. Tem mtas
bandas fazendo trabalhos ímpares dentro do metal.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Qual foi o momento mais marcante da trajetória da Manunkind até agora?
Fábio Trovão – poderia citar o show de abertura da banda
Doctor Sin. que fizemos. Nossos lançamentos que marcaram bastante. Gravar,
tocar, ouvir as nossas gravações nas plataformas digitais, das pessoas ouvirem
e comentarem, isso é muito marcante pra gente, vê que nosso trabalho está sendo
reconhecido. E o terceiro ponto foi a participação do Derek Sherinian ex-integrante
da banda Dream Theater, um ídolo nosso participando de uma música nossa, foi
emocionante.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Se vocês pudessem escolher uma grande banda nacional ou internacional para
dividir o palco com a Manunkind, quem seria?
Fábio Trovão – nacional eu escolheria o Angra que é a minha
banda nacional preferida. E Internacional seria Savatage.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- O que vocês consideram essencial para uma banda conseguir construir uma
identidade própria sem perder suas influências?
Fábio Trovão – toda banda tem o objetivo de construir uma identidade. Algumas conseguem, outras não. Algumas conseguem e depois perde. Acho que isso é uma das coisas mais difíceis no mundo da música, não só do rock. Aquele guitarrista que em uma nota você consegue identificar quem é, aquela banda na primeira introdução da música você já identifica quem é. E isso é muito difícil, eu acho que o principal é você se manter honesto consigo mesmo, fazer aquilo que está que está dentro do seu coração, da sua mente. Não se corromper, não se vender. O principal é ser honesto consigo mesmo e sem manter íntegro artisticamente.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Fale um pouco do público da Manunkind?
Fábio Trovão – nós temos muita gente que está sempre indo
atrás da banda, uma galera fiel que já conhece, que curte, que conhece as
músicas. Nós temos aquele público do local, está sempre lá, da casa. Hoje nós
temos mais de 4 mil seguidores no Instagram e nós gostaríamos que esses
seguidores virtuais se tornassem seguidores reais. Eu estava conversando com a
galera da banda, “o que a gente pode fazer pra transforma esse público virtual
para real?” O que podemos fazer pra que as pessoas tenham vontade de sair das
suas casas e ir algum lugar assistir a Manunkind”? A gente tem sempre em mente, a gente entrega o
melhor show que temos que entregar, sempre. Não importa se tem 10 mil pessoas
ou se tem 03 pessoas assistindo quem for conhecer a Manunkind, pela primeira
vez vai sair com a sensação de que a banda deu tudo de si e fez o melhor que
pode. Óbvio que trabalho artístico é uma coisa abstrata, não dá pra agradar
todo mundo, uns gostam, outros não gostam. Mas com certeza 100% do público que
assiste a gente sai com a sensação do melhor que a gente tinha pra entregar pra
eles.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- A Manunkind está trabalhando atualmente em novas músicas, singles, EP ou
álbum? Existe previsão de um novo lançamento? O que vocês podem adiantar sobre
esse trabalho?
Fábio Trovão – no momento não estamos com novo material, a
gente ainda está divulgando o nosso último lançamento que foi o nosso EP “Hidden
Side of Me”, lançado ano passado. Então, a gente ainda está em processo de
divulgação, fazer shows, turnês, ainda não começamos a pensar no próximo
trabalho. Embora, nossa cabeça de músico está sempre em processo criativo, de
vez em quando a gente tem algumas ideias e troca um com outro, grava em casa,
mas planejar, sentar pra fazer não temos nada previsto ainda.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Um breve resumo da discografia...
Fábio Trovão – a nossa discografia é basicamente 02 EP’s. Sendo
que o primeiro a gente estava gravando quando veio a pandemia, então a gente
acabou não lançando ele junto, fomos lançando as músicas separadamente. Entre
2020 e 2022 nós lançamos 04 músicas que fariam parte do EP, seriam 06 músicas, mas
lançamos 04, por conta do isolamento, a gente teve que gravar um por um. Foi a
forma que encontramos pra conseguir lançar o trabalho. De certa forma foi legal
porque a gente manteve o nome da banda sendo falado por longo tempo e quando
começava a cair um pouco a gente já vinha com novo lançamento que de certa
forma foi um ponto positivo. E o segundo lançamento foi em 2025 que foi o EP “Hidden
Side of Me”. O primeiro EP eram todas as músicas já compostas por mim com
outros parceiros antes de existir o Manunkind. Jà o segundo EP, foi o primeiro
que foi totalmente composto pela banda já nesse formato com nome de Manunkind. Então,
lançamos 04 músicas novas, lançamos uma música que ficou de fora do 1° EP que
foi a All Gone demos uma nova cara com a fase da Manunkind e lançamos 02
músicas ao vivo, também.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Depois de tantos anos de estrada qual é o maior sonho que ainda querem
realizar com a banda?
Fábio Trovão – são tantos ainda. A gente gostaria de lançar
um álbum inteiro completo em formato físico, se possível. Gostaria de tocar em
outros lugares, cidades, Estados, outros países. Tocar com bandas que a gente
curte que não temos oportunidades ainda. Temos muitos sonhos pela frente.
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Quando e onde será o próximo show da Manunkind? O que o público pode esperar
dessa apresentação?
Fábio Trovão - 29/10 no Bulldog Bar, no Pechincha
31/10 no Néctar Som, em Vargem Grande
21/11 - Bar do Chico, em Bangu
Blog Underground Alessandra Paim jornalista
- Para finalizar: que mensagem a Manunkind gostaria de deixar para os leitores
do Blog Underground e para todos que acompanham e fortalecem a cena metal
independente brasileira?
“A principal mensagem que eu gostaria deixar para o
público que apoie o metal nacional, apoie o metal underground. A gente nunca
sabe em qual garagem está o próximo Metallica, o próximo Iron Maiden, o próximo
Black Sabbath. Lembrando, como mencionei em algumas respostas anteriores, heavy
metal historicamente falando, ele é um gênero relativamente jovem que tem seus
60 anos comparados com outros estilos que são centenários. Agora que estamos
começando a ver os nossos heróis partirem. E a gente precisa repor, não podemos
deixar o heavy metal morrer junto com os fundadores deles, junto com as grandes
bandas. A gente precisa de novas grandes bandas, bandas de qualidade, de paixão
pelo heavy metal. Apoie o heavy metal nacional, apoie as bandas autorais, apoie
o movimento. Vá aos shows, dá o like nas postagens, compartilhe nosso som, mande
o link pros amigos. E queria deixar o muitíssimo obrigado pelo trabalho de
vocês que fazem pro rock underground, para a galera independente. Muito
obrigado pelo espaço, muito obrigado pela força que dão pra todo mundo, pra
toda a galera que está no corre pra fazer o rock acontecer e não morrer jamais”!