“A gente fez o metal nascer, o metal não vai morrer, nunca. Nós somos uma grande tribo”, Debs Sztajnberg.
Formada no
final de 2016, a HexWyfe surge como uma potente expressão de
empoderamento feminino no cenário do rock e do heavy metal, carregando desde
sua gênese a proposta de unir repertório autoral e versões de clássicos, sempre
sob a ótica da força e da voz das mulheres na música. Com referências que
transitam entre bandas marcantes como Heart, Vixen, Girlschool e L7 e nomes que
definem gerações como Cher, Stevie Nicks, a banda constrói uma identidade
sonora própria, onde a herança desses ícones ganha contornos pesados, potentes
e inconfundivelmente ligados ao heavy metal. Sediada no Rio de Janeiro, a
HexWyfe consolidou presença em palcos da cidade, incluindo eventos de destaque
como o Rock Horror Film Festival. Mais do que apresentações musicais, seus
shows se firmaram como verdadeiros espetáculos performáticos — a marca
registrada do grupo, que desde o início se destacou pela singularidade e pela
representatividade que traz à cena. Essa originalidade se reflete também em
cada apresentação: a banda frequentemente convida artistas das mais diversas
áreas para participações especiais, reforçando diversidade e diferencial em
cada etapa. Mesmo com os desafios impostos pela pandemia, a HexWyfe não parou.
Expandiu sua atuação para o formato de lives, cruzando fronteiras dentro e fora
do país. No Brasil, marcou presença em iniciativas como Pedrada At Home,
Playing for a Change Day, Fome de Música, Festival Metal com
Batata, Caio Indica Fest 3 e o Frida Rock Festival.
Internacionalmente, integrou a programação do Heresy Metal Fest
(Argentina), Sessiones #Quedateencasa (México), Unidas in Rock
(edição mundial), Electrorock Festival e o Festival Somos uma Red 180,
ambos na Colômbia. Atualmente a banda Hexwyfe é composta por Debs
Sztajnberg no vocal e teclados, Milly Redberyl - na guitarra, Helga Balbi na
bateria, Aline Campos no baixo.
Sua obra chega
hoje a públicos de dimensão global: os singles da HexWyfe são difundidos em
rádios e web-rádios do Brasil, América Latina, América Central, Estados Unidos,
Europa e Oceania. A trajetória discográfica inclui Final Hour (2020),
presente nas coletâneas Rock Soldiers Vol.26 e Roadie Metal Vol.14
e que figurou entre as dez mais tocadas na Rádio Paulista Plano B em setembro,
outubro e dezembro de 2020; Betrayed (2020); e Censorship (2021),
que integrou a coletânea Guerreras de Metal — Subtle Death Magazine, Edição
86 e um compilado lançado em Cuba, ao lado de nomes de peso da cena
feminina do heavy metal como Crypta e Nervosa. Em 2022, chegou ao público o
videoclipe de Final Hour, ampliando ainda mais o alcance da mensagem e
da sonoridade que fazem da HexWyfe uma referência indispensável.
Para conhecer
melhor essa trajetória, a vocalista Deborah Sztajnberg, conhecida como “Debs”,
concedeu uma super entrevista ao Blog Underground Alessandra Paim, na qual
compartilha informações sobre a história da Hexwyfe, suas influências musicais,
a identidade artística do grupo e os desafios enfrentados pelas mulheres no
universo do rock e do metal. A conversa também abre espaço para reflexões sobre
representatividade, preconceito e a importância de fortalecer a presença
feminina em uma cena historicamente marcada pela predominância masculina.
Confira essa entrevista e conheça mais sobre a Hexwyfe, uma banda que une
música, performance e atitude para afirmar seu espaço na cena rock e metal! Fica
o meu muito obrigada à Debs pela excelente entrevista concedida ao Blog
Underground Alessandra Paim! Desejo muito sucesso à Hexwyfe e que vocês
continuem persistentes nessa caminhada! Vocês inspiram muitas outras bandas
formadas por mulheres a conquistarem seu espaço na cena rock. 🤘🔥
Blog Underground Alessandra Paim
- A Hexwyfe surgiu no final de 2016 com uma proposta de força feminina. Como
nasceu a ideia de formar uma banda com esse propósito tão claro desde o início?
Deborah
Sztajnberg –
a Hexwyfe era um grande
sonho meu e quando eu comecei a tocar eu era muito jovem e não tinha mulher que
tocasse, muito menos heavy metal. Só tinha eu e a Josi que era minha baixista.
Eu disse, “vai chegar o dia que eu vou ter uma banda de heavy metal só de
meninas que era meu sonho”. E as coisas convergiram para isso acontecer a Helga
foi a minha aluna, a Milly tinha chegado no RJ era de Curitiba e a Aline veio
depois.
Blog Underground Alessandra Paim -
Vocês definem a banda como um espaço de “women power”. De que forma esse
empoderamento guia não só as letras, mas toda a postagem e caminhada do grupo?
Deborah Sztajnberg – se você visse o que a gente já passou
por ser uma banda de mulher, ser uma banda de metal que é um nicho um pouco
machista, também. Foi exatamente pra isso que a gente trouxe essa temática para
esse empoderamento não só porque é de mulher, mas porque é no metal que é um
ambiente majoritariamente masculino.
Blog Underground Alessandra Paim
- Bandas como Heart, Vixen, Girlschool, L7 e artistas como Cher, e Stevie Nicks
são citadas como influências. Como vocês misturam referências tão diferentes
para construir a pegada de Heavy Metal autoral da banda?
Deborah Sztajnberg – essa questão das referências é muito
engraçada. Porque eu sou do classic rock, a Milly é mais Power metal, Elga
gosta de tudo e a Aline gosta de tudo, também. Mas claro que a proposta da
banda é uma coisa de referência musical feminina e com conteúdo das letras,
também. Quem presta atenção está vendo que tem uma plataforma de discurso.
Blog Underground Alessandra Paim
- Qual a diferença que vocês procuram deixar evidente entre os covers e as
músicas próprias no repertório?
Deborah Sztajnberg – quando a gente faz um cover na Hexwyfe a
gente não faz exatamente igual. A coisa mais divertida que eu acho é a gente fazer
algo que o público adora.Por exemplo, aquela música 50 reais da Mayara Azevedo
que a gente transformou aquilo no punk rock. E as autorais são feitas
normalmente com essas influências, de cada uma que mencionei. E a composição
sempre são as 04, a gente compõe as 04 juntas. O que é uma coisa muito rara em
banda.
Blog Underground Alessandra Paim - A banda ganhou destaque nos palcos do Rio de Janeiro, incluindo eventos como o Rock Horror Film Festival. Como foi a recepção do público carioca desde os primeiros shows?
Deborah Sztajnberg – essa coisa de reação do público é muito interessante.
E o nosso primeiro show foi no antigo Saloon e não estava muito cheio e a gente
foi e tocou, o dono da casa chamou para tocar no sábado e nesse dia tinha gente
que ficou de fora, foi um show lendário, foi o retorno do público com o nosso
trabalho.
Blog Underground Alessandra Paim
- As apresentações são descritas como performáticas e únicas, indo muito além
da música. O que o público encontra em um show da Hexwyfe que não vê em outros
palcos?
Deborah Sztajnberg – eu vejo muita banda tocando poraí
tocando igual do Disco/CD e se for pra ver isso, eu por exemplo, fico em casa
escutando álbum em casa. Se você vai para um show é natural que você quer ver
um show, um espetáculo, um show que surpreenda. Então, todas as nossas
apresentações a gente traz coisa diferente, a gente traz performance diferente.
Acredito que o público gosta muito.
Blog Underground Alessandra Paim
- A participação de artistas especiais de diversas áreas é uma marca de cada
apresentação. Como surgiu essa parceria e o que ela agrega à identidade da
banda?
Deborah Sztajnberg - essa ideia nasceu quando tocamos no Heavy
Beer e deu uma pane no som e pra não ficar uma coisa estranha eu fui e amarrei
uma coleira num produtor amigo nosso e o pessoal achou espetacular. E tinha
tido na noite anterior um negócio de polidance e tinha polidance montado no
local, eu chamei 02 meninas do polidance. Se você for ver um show da Hexwife
vai ver alguma surpresa, nenhum show é igual ao outro.
Blog Underground Alessandra Paim -
Para vocês, o que significa trazer diversidade e representatividade para a cena
do rock e do metal hoje?
Deborah Sztajnberg – a diversidade e representatividade tem
muito a ver com a questão genuína. Eu vi outro dia uma baixista trans
excelente, tocava muito, fazia uma performance genial e isso é a parte da
representatividade porque eu vejo infelizmente não no metal e sim no pop, tem discursos
e aquilo tudo é mascarado que a pessoa não é nada daquilo, não acredita em nada
daquilo que fala.
Blog Underground Alessandra Paim
- Estar em eventos como o Unidas in Rock (edição mundial) e festivais na
Argentina, México e Colômbia — o que essas conexões internacionais representam
para a Hexwyfe?
Deborah Sztajnberg – eventos como Unidas in Rock me emocionam muito por causa disso que falei anteriormente, na minha época mulher não tocava e muito menos heavy metal e quando eu vejo essas inciativas, se a gente puder a gente faz questão de participar. É exatamente assim que a gente vai ganhando terreno e mostrando que é possível.
Blog Underground Alessandra Paim
- Os singles já tocam em rádios e web-rádios por toda a América Latina, EUA,
Europa e Oceania. Como vocês avaliam esse alcance tão amplo e quais reações
mais chamaram a atenção até agora?
Deborah Sztajnberg – todo mundo na época fala que chamou muito
atenção, não só a qualidade do nosso material como a expressividade, também. Acredito
que isso aos poucos foi conquistando vários países e por exemplo, eu amo
receber material de bandas só de mulheres em Dubai, Cazaquistão e isso é muito
legal. Porque não é um ambiente propício você ter uma banda de heavy metal
feminino no EUA ou na Europa é muito fácil, mas nesses outros países, não.
Blog Underground Alessandra Paim
- Com toda essa trajetória e presença fora do país, quais são projetos futuros
para 2027?
Deborah Sztajnberg – para 2027 a Hexwife gosta muito de show.
Então, a gente está querendo fazer muitos shows e eventualmente gravar um álbum
que vai ser produzido por uma grande estrela nacional que por enquanto não
posso revelar.
Blog Underground Alessandra Paim
- Vocês definem a banda como um espaço de “women power”. De que forma esse
empoderamento guia não só as letras, mas toda a postura e caminhada do grupo?
Deborah Sztajnberg – esse empoderamento que a gente traz é
uma coisa que eu sempre pensei não só porque todas nós passamos péssimos maus bocados,
mas com certeza várias outras mulheres passaram, também. É uma coisa de um “statement”
dizendo assim: “A gente pode e você pode, também”.
Blog Underground Alessandra Paim -
Fale um pouco da discografia da banda.
Deborah Sztajnberg – por conta da pandemia a gente foi
lançando singles foi uma coisa muito engraçada porque todo mundo sonha em
gravar álbum. E esses singles começaram a fazer muito sucesso. Então, um dos
projetos para 2027 é gravar um álbum.
Blog Underground Alessandra Paim
- A Hexwife já enfrentou preconceito por ser uma banda de metal formada por
mulheres? Atualmente, em pleno século XXI a banda ainda passa por certos
conflitos?
Deborah Sztajnberg – olha, a Hexwife já enfrentou tanto
problema de misoginia. Pra você ter uma ideia teve um grande festival, era num
local aberto e o técnico de som olhou e viu que era uma banda de mulher e foi
embora, não tinha quem pilotasse o som. Por sorte teve um amigo nosso que nos
socorreu. Pra você ver o nível de sabotagem por sermos mulheres.
Blog Underground Alessandra Paim
- A música mais pedida nos shows e como é a receptividade do público da
Hexwife?
Deborah Sztajnberg – sempre a mais pedida é a “Final Hour” os primeiros singles e a gente teve um pedido agora, inclusive, eles vão colocar num game.
Blog Underground Alessandra Paim - Mensagem para os amantes do metal
“A mensagem
que eu deixo para o pessoal do metal é o seguinte: eu vi o metal nascer aqui no
Brasil e na nossa época não tinha nada. E a gente fez o metal nascer, o metal não
vai morrer, nunca. Nós somos uma grande tribo! Ano retrasado eu fui ao Wacken
na Alemanha e tive a absolta certeza disso. Vamos todos nos unir e fazer que a
nossa tribo ande cada vez melhor”, Debs”.
![]() |
| Exclusiva Blog |



