Exclusiva do Blog --------- PUNK ROCK PANTANEIRO - Oeste Hostil na cena punk do MS...

 

      “A união do underground tem que prevalecer acima de tudo”, Thiago Pésthi.

 

Velocidade na bateria, letras que são um soco no estômago. A banda Oeste Hostil carrega a essência crua do punk rock, provando que o 'faça você mesmo' continua mais vivo do que nunca no underground. A banda iniciou a carreira em 2025 como projeto autoral na cena sul-mato-grossense. Com uma pegada punk rock pantaneiro a banda vem se destacando na cena punk. O termo punk rock pantaneiro remete as maravilhas do pantanal e a banda fala da biodiversidade nas letras e com forte influência do Brô MC’s, grupo de rap que canta numa linguagem indígena/guarani e a Oeste Hostil quer assimilar essa forte tendência originária, também. A banda está trabalhando nas autorais para futuramente lançar seu trabalho nas principais plataformas digitais. Enquanto isso, os integrantes gravam seu trabalho no improviso e dispara para o público e isso tem tido um retorno muito positivo. Suas principais influências dentro do estilo são: Cólera, Inocentes, Ramones, Social Distortion e Misfits. A formação atual conta com Marco Aurélio (Kão) na bateria, Hélio Rodrigues na guitarra, Moacir Neto no baixo, Thiago Albuquerque (Pésthi) no vocal. O próximo show da Oeste Hostil será dia 17/07 na Taberna Pub Rock com SxAxM, Oeste Hostil, Sacratory e Buzkashi. Ingresso está R$ 10, mas se levar alimento ou agasalho a entrada é gratuita. O blog teve um super bate papo com o vocalista Thiago Albuquerque, conhecido como “Pésthi” que falou toda a história e origem da banda, seus sonhos e propósitos de uma banda independente que vem lutando no meio rock, fortalecendo a cena underground no MS. Fica o nosso muito obrigado pela entrevista concedida Thiago e estendemos nossos agradecimentos aos demais integrantes. Desejamos sucesso e resistência, sempre!

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Quanto tempo tem a banda Oeste Hostil?

Thiago Pésthi – a banda Oeste Hostil surgiu agora em 2025 com projeto autoral. Porém, ano passado a banda já existia, mas era uma banda de tributos. A gente estava tocando covers que era outra formação, agora com essa formação atual a gente decidiu fazer um som próprio, som autoral mesmo e assumindo a origem do punk pantaneiro.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Origem do nome

Thiago Pésthi – o nome remete muito ao Centro-Oeste onde vivemos. E isso diz muito sobre as hostilidades que vivemos aqui na região oeste. Mas a real fonte é de um filme que não me recordo no momento o nome ... onde o personagem de faroeste fala assim “eu não resisto a hospitalidade do Oeste”. Como sempre morei na região oeste de Campo Grande, resolvi usar o termo oeste pra colocar o nome, só que eu não queria colocar hospitalidade. Aí eu lembrei que fiz uma letra chamada “Hostilidade no Oeste”. Na realidade o nome da banda seria Oeste Maldito para dar sequência a minha antiga banda Maledetos. Mas eu preferi colocar Oeste Hostil com referência a todo massacre indígena, à destruição do Pantanal e toda essa criminalidade contra o povo da periferia.

  

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Por que punk rock pantaneiro?

Thiago Pésthi – o termo punk rock pantaneiro a gente vive próximo ao Pantanal, a gente é abençoado pelo pantanal, por ter essa biodiversidade próximo e a gente quer falar muito nas letras. A gente sempre quis levar o punk rock de Campo Grande pra um outro nível, somos 04 gerações de punk numa banda só. O termo punk rock pantaneiro é que a gente quer essa identidade pra gente, um punk feito meio ao Pantanal com muita influência do Brô MC’s que é um grupo de RAP que canta numa linguagem indígena/guarani e a gente quer também assimilar essa forte tendência originária.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Como a cena punk da nossa região influenciou o som e a identidade de vocês?

Thiago Pésthi – a cena em Campo Grande sempre foi forte, sempre prestigiando várias bandas. As bandas que a gente curte na cidade tem bastante representatividade no nosso som. O Kão, nosso baterista ajudou e ajuda muito as bandas daqui, Hélio fez parte da geração que fundou o rock no bar do Zé Carioca, o Neto faz parte de uma geração de punk hardcore desde 2000s até os dias atuais. E as bandas normalmente nos ajuda com eventos, a gente sempre que pode realizar um evento, nos reunimos pra fazer o evento acontecer. E as nossas influências pra fazer a identidade da Oeste Hostil vem da nossa trajetória toda desde que a gente surge com a nossa faceta do rock.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Como vocês enxergam a união entre as bandas de punk rock hoje em dia? O movimento continua forte?

Thiago Pésthi – a gente tenta se manter sempre firme, sempre tentando se ajudar, fazendo conexão com as próprias bandas daqui, mas sem sucesso porque ainda existe aquele limite de punk não toca com metal, metal não toca com blues, essas rixas que a gente tenta acabar desde 90s. O movimento punk de verdade na cidade, posso dizer que está inexistente. Existem bandas de punk rock, mas não são muito unidas, não. Como é na cena de fora que a bandas se juntam, fazem festivais. Aqui a gente tem que estar implorando praticamente, tem que estar insistindo, tem que estar dando murro em ponta de faca pra poder realizar um evento. Não pode atrapalhar evento dos outros a gente tem que marcar horário e dias aleatórios pra não atrapalhar os outros rolê de rock. A gente tenta unir o máximo, mas a galera tem ficado muito na retranca, não colabora, só quer saber de cachê e não fortalece a cena. È um apoie underground bem gourmezão! não chega a ser um underground de verdade, onde todo mundo se ajuda, onde eventos acontecem onde festivais acontecem.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - A energia de uma música punk costuma nascer da raiva, da diversão ou da frustração? Como é o processo de vocês?

Thiago Pésthi – a raiva nos leva a se unir pra fazer a diversão. A gente costuma usar nosso cotidiano campo-grandense que por sinal vem passando por uma péssima gestão. A gente costuma falar sobre desmatamento, destruição do meio ambiente, cotidiano em geral que nos leva a uma insanidade tudo isso existe nas nossas letras e tem um pouco de horror punk, sim. Uma parte do punk que a gente nunca vai deixar morrer.



Blog Underground Alessandra Paim jornalista - O punk sempre foi político/social. O que mais incomoda vocês no mundo atual para servir de inspiração para novas letras?

Thiago Pésthi – o punk sempre foi político e social e a gente quando vai fazer um evento cobramos um valor mínimo ou valor irrisório ou a entrada é free dependendo da ação social.   O punk realmente precisa muito dessa união e as bandas de punk não tem colaborado muito e a gente tem por escapatória chamar bandas de metal, grunge e outros estilos pra poder estar realizando os festivais e eventos. A questão social é estar ajudando sempre o menos favorecido na sociedade, assim como nós, a gente nunca foi favorecido de família abastada e a gente sempre correu atrás de patrocínio de lojas pra fazer eventos. Ainda não conquistamos aquele sucesso, mas a gente está trabalhando pra isso.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - O que não pode faltar em um show de vocês?

Thiago Pésthi – o que não pode faltar no nosso show é energia, cerveja, som de protesto e som autoral.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Como uma banda de punk rock sobrevive na era do streaming?

Thiago Pésthi – a gente não tem nada gravado pra streaming e sim temos um clipe que a gente resolveu lançar no Youtube. Mas não é nenhum clipe e sim uma montagem que a gente fez pelo celular mesmo, com nosso som para poder divulgar nosso trabalho. Som de protesto que a gente faz e tem agradado muita gente. Futuramente, queremos gravar nossas músicas. Temos 12 músicas e mais algumas já estão em processo de criação, a gente pretende gravar tudo e lançar o quanto antes. Mas a vida pessoal e profissional não colabora muito porque a gente trabalha muito e sobra pouco tempo para os ensaios e gravações. Mas a gente está trabalhando muito pra isso acontecer e em breve teremos novidades.

 


Blog Underground Alessandra Paim jornalista - O que podemos esperar dos próximos lançamentos? Vem álbum aí?

Thiago Pésthi – a gente quer lançar “Autoritarismo Tropical” que vem do nosso merchan, da nossa camiseta, que é o que acontece na nossa região, esse autoritarismo sem precedentes pra cima da gente que é de periferia. Tem “Devastação” que praticamente vem se tornando um hino, um grito forte contra a devastação do meio ambiente. A gente vem trabalhando forte para em breve disponibilizar pra galera.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Quais as maiores influências da banda Oeste Hostil?

Thiago Pésthi – a nossa maior influência: Ramones, Misfits, Inocentes, Cólera. Cada um dos integrantes oferece um gancho a mais na hora de criar, cada um é uma coletânea ambulante de músicas, de punk rock que aprimora nosso som cada vez mais.



Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Cite eventos e festivais que a banda já participou e qual impactou mais positivamente?

Thiago Pésthi – nosso primeiro evento com som autoral foi no Elvira Rock bar. Teve uma olímpiada de jogos de tabuleiro e a gente tocou nesse dia e foi bem da hora. Foi a nossa primeira aparição com som autoral.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Autorais. Fale um pouco de cada autoral da banda e seus significados

Thiago Pésthi – as autoriais são de várias influências. “Brasil Paralelo” que fala sobre os ataques de 08 de janeiro de 2022, “Devastação” fala sobre a devastação do meio ambiente que o pantanal foi incendiado na época, falamos sobre o “Poderio Militar “nas cidades e o “Massacre contra os Pobres”. O cotidiano no geral nos influencia muito a criar nossas músicas.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Onde a banda Oeste Hostil gostaria de tocar?

Thiago Pésthi – onde chamar a Oeste Hostil estamos tocando, tendo espaço pra a gente mostrar o punk rock pantaneiro.



Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Contatos para shows

Thiago Pésthi – Pelo Instagram e Facebook da banda @oestehostil  - Facebook Oeste Hostil – pelo e-mail – hostiloeste@gmail.com e meu contato (whatss) 67 99325-9888 (Thiago).

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - O que a banda precisa melhorar na sua opinião?

Thiago Pésthi – melhorar é sempre bom. A gente tem um entrosamento da hora. Cada um de nós assumiu uma faceta da banda pra ser e tem feito a engrenagem rolar bem da hora.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Retorno do público

Thiago Pésthi – o retorno do público tem sido bem da hora, apesar da gente não ter muito o rolê do streaming. Os vídeos que a gente posta de shows de ensaios é sempre bem-vindo a galera tem comentado, tem reagido. A gente coloca no nosso lema “Lute como indígena”! A gente pretende fazer o mais próximo que o Black Pantera faz com o movimento negro, fazer isso com uma banda indígena, uma banda que tem relação com o movimento originário. Até porque moramos no centro-oeste que é regado da população indígena. E a gente está tentando fazer do punk rock pantaneiro uma vertente forte aqui.

Blog Underground Alessandra Paim jornalista - Projetos futuros

Thiago Pésthi    é tocar onde puder, nos festivais, bares, onde chamar a gente, fazer amizade com a galera. Sempre estar fortalecendo a cena de Campo Grande não só de Campo Grande, mas no Brasil todo. O punk rock é muito forte com essa relação da galera se posicionar, ter uma opinião engajada, mais forte, mais militante.


Blog Underground Alessandra Paim jornalista - MENSAGEM

“A mensagem que eu deixo é que acredite em você n se deixe abalar, n deixe as frustações te levar. A gente vem passando por momentos muito difíceis, mas isso dá mais força pra gente continuar com essa resistência. Gostaria de deixar um abraço a você Alessandra, ao Marcelo, a equipe do blog por ter concedido esse espaço pra gente, muito obrigado, mesmo. È importante demais o que o blog faz pela cena, isso é muito importante pra Campo Grande, se faz necessário! A união do underground tem que prevalecer acima de tudo. Muito obrigado”!

 


 

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